Deputado estadual, preso preventivamente desde maio, afirma que deixa o cargo para concentrar esforços na própria defesa. Investigação da Polícia Federal apura suspeitas envolvendo contratos e recursos destinados à Educação do Estado do Rio
O deputado estadual Thiago Rangel renunciou nesta quarta-feira (12) ao mandato na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Preso preventivamente desde maio no âmbito da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal, o parlamentar justificou a decisão pela necessidade de se dedicar à própria defesa.
A renúncia foi comunicada formalmente ao plenário da Alerj e o documento foi lido durante a sessão pelo deputado Guilherme Delaroli (PL), que presidia os trabalhos.
A saída ocorre cerca de três meses após a prisão preventiva de Rangel e em meio ao avanço das investigações que apuram suspeitas relacionadas à contratação de serviços, obras e aquisição de materiais para a Secretaria de Estado de Educação.
Segundo as suspeitas investigadas pela Polícia Federal, o caso envolve possíveis fraudes em contratos públicos, desvio de recursos e superfaturamento. As acusações, contudo, ainda estão sob análise judicial. A prisão preventiva tem caráter cautelar e não representa condenação.
Com a renúncia, Rangel deixa formalmente a cadeira que ocupava na Alerj. A decisão encerra seu atual mandato parlamentar, mas não interfere, por si só, na continuidade das investigações conduzidas pelas autoridades.
O caso também ganhou dimensão política no cenário eleitoral fluminense. No último fim de semana, a investigação provocou um confronto público entre o deputado estadual Flávio Serafini (Psol) e o ex-governador e candidato ao Governo do Rio Anthony Garotinho (Republicanos).
O embate envolveu justamente a origem das denúncias que deram visibilidade às suspeitas contra Rangel. Os dois políticos divergiram sobre quem teria levado as informações e possíveis irregularidades aos órgãos responsáveis pela apuração.
A renúncia acrescenta um novo capítulo a uma investigação que já ultrapassou os limites do ambiente parlamentar e passou a ocupar espaço no debate político do Estado. Enquanto a Polícia Federal prossegue na apuração, caberá ao Judiciário avaliar as responsabilidades individuais e a consistência das acusações apresentadas no processo.
Até que haja decisão definitiva, prevalece o princípio da presunção de inocência.