Em Itaperuna, uma instituição educacional com quase seis décadas de história vive um momento que provoca inquietação entre famílias, estudantes e trabalhadores. O que está em jogo não é apenas uma mensalidade, um boleto ou um salário: é a confiança construída ao longo de gerações.
Há instituições que ultrapassam os muros onde funcionam. Tornam-se parte da memória de uma cidade.
Em Itaperuna, existe uma escola que carrega esse peso. Uma instituição criada na década de 1960, formalizada em 1967, e que atravessou quase seis décadas formando gerações. Pais que estudaram ali levaram seus filhos para os mesmos corredores. Professores fizeram carreira. Famílias depositaram naquela instituição não apenas dinheiro, mas confiança.É justamente por isso que o momento atual causa tanta apreensão.
Relatos que chegam de dentro e de fora da instituição descrevem dificuldades que, isoladamente, poderiam parecer problemas administrativos. Juntos, porém, formam um cenário que merece atenção: dificuldades relacionadas à emissão e ao pagamento de boletos, orientações para que pagamentos sejam realizados por Pix, questionamentos sobre o cumprimento de contratos, mudanças frequentes no quadro de professores e a saída de profissionais responsáveis pela direção e coordenação sem uma transição que tranquilize as famílias.
Há ainda uma questão particularmente sensível: trabalhadores que relatam atraso ou ausência de pagamento.
E quando o trabalhador não recebe, a crise deixa de ser apenas administrativa.
Ela chega à mesa de casa.
O salário é o alimento dos filhos, a conta de luz, o aluguel, a escola, o supermercado. É o dinheiro que deveria sair do trabalho e chegar à família. Quando isso não acontece, o problema ganha dimensão humana.
Enquanto isso, nos corredores, permanece o silêncio.
Um silêncio que talvez seja o aspecto mais preocupante de todos.
Pais querem saber se seus filhos terminarão o ano letivo normalmente. Funcionários querem saber quando receberão. Professores precisam saber se terão estabilidade. E a comunidade precisa saber qual é o planejamento para uma instituição que não é recente, improvisada ou desconhecida.
É uma escola que carrega quase 60 anos de história.
Uma instituição que nasceu de um projeto educacional ligado ao desenvolvimento de Itaperuna e que, ao longo das décadas, ampliou sua atuação para diferentes níveis de ensino.
Não se trata, portanto, apenas de uma empresa que enfrenta dificuldades.
Existe um patrimônio histórico e afetivo envolvido.
Existe uma cidade que ajudou a construir essa história.
Existe uma geração que estudou ali e hoje vê seus próprios filhos ocupando os mesmos espaços.
E é justamente por isso que perguntas precisam ser feitas.
Quem administra? Como administra? Qual é a situação financeira? Existem salários em aberto? Os contratos firmados com as famílias estão sendo cumpridos? Por que profissionais deixam seus cargos sem uma transição capaz de transmitir segurança? Qual é o planejamento para garantir o funcionamento até o fim do ano letivo?
Não se trata de condenar ninguém.
Muito menos de decretar o fim de uma instituição sem que existam informações oficiais.
Trata-se de cobrar transparência.
Instituições educacionais vivem de conhecimento, mas também vivem de credibilidade. E credibilidade não se sustenta pelo silêncio.
Uma escola pode enfrentar dificuldades.
O que não pode é deixar famílias, estudantes e trabalhadores sem respostas.
Itaperuna já viu essa instituição atravessar décadas, mudanças políticas, transformações sociais e diferentes gerações.
Agora, a pergunta que ecoa não é sobre o passado.
É sobre o futuro.
O que está sendo feito para preservar uma história de quase seis décadas antes que problemas de gestão transformem um patrimônio educacional de gerações em apenas uma lembrança?
Talvez ainda exista tempo para reorganizar a casa.
Mas, para isso, será preciso abrir as portas.
Não apenas as portas da escola.
As portas da transparência.
Porque quando uma instituição pertence, há décadas, à memória de uma cidade, sua história não pode terminar em silêncio.