Romário deixa o PL e expõe nova movimentação no tabuleiro eleitoral do Rio

Romário deixa o PL e expõe nova movimentação no tabuleiro eleitoral do Rio

Senador encerra ciclo de cinco anos no partido e confirma apoio a Eduardo Paes na disputa pelo Governo do Estado

A corrida pelo Governo do Rio de Janeiro ganhou um novo movimento neste sábado (15). O senador Romário formalizou sua saída do Partido Liberal (PL), encerrando um ciclo de cinco anos na legenda, e confirmou apoio à candidatura de Eduardo Paes (PSD) ao Palácio Guanabara. A informação foi divulgada inicialmente pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo, e posteriormente confirmada por outros veículos.

A decisão coloca Romário em uma posição política diferente daquela adotada pelo PL, que tem Douglas Ruas como candidato ao governo estadual. O senador encaminhou um ofício ao presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, comunicando oficialmente sua desfiliação.

No documento, Romário justificou a decisão como resultado de uma reflexão sobre os rumos políticos que considera mais adequados para o Rio e sobre a maneira como pretende participar do processo eleitoral. Em declaração pública, também deixou claro que a saída não representa um rompimento pessoal com integrantes do partido.Uma escolha que não surgiu agoraA aproximação entre Romário e Eduardo Paes não é uma novidade da eleição estadual.

Em 2024, durante a disputa pela Prefeitura do Rio, o senador já havia apoiado Paes na campanha pela reeleição, enquanto o PL apresentava Alexandre Ramagem como adversário.Dois anos depois, a mesma aproximação volta a aparecer em um cenário mais amplo: desta vez, na disputa pelo comando do Estado.

Segundo relatos publicados sobre os bastidores, Romário esteve em Brasília na quinta-feira para conversar com Valdemar Costa Neto. O encontro teria tratado do apoio a Paes, mas a decisão de deixar o partido não teria sido apresentada naquele momento, sendo formalizada posteriormente.O impacto políticoMais do que uma simples troca partidária, a saída de Romário acontece em um momento de rearranjo das forças eleitorais fluminenses.Eduardo Paes vem ampliando sua frente de apoios, inclusive entre antigos aliados de Douglas Ruas e lideranças municipais da Baixada Fluminense. A movimentação de Romário acrescenta ao campo de Paes uma figura de forte reconhecimento público e trajetória eleitoral consolidada.Do outro lado, o PL mantém sua candidatura própria com Douglas Ruas, que busca consolidar o eleitorado identificado com a direita e com o bolsonarismo.

A disputa, portanto, passa também por uma reorganização de alianças que ultrapassa as fronteiras formais dos partidos.Pesquisas recentes citadas pela imprensa mostram Paes na liderança, enquanto Ruas e Anthony Garotinho aparecem disputando posições seguintes, embora o cenário ainda esteja sujeito às mudanças provocadas pelo início efetivo da campanha.Um ciclo que termina, outro que começa Romário deixa o PL sem anunciar, até o momento, uma nova filiação partidária. A saída, portanto, não representa necessariamente uma mudança imediata de legenda, mas uma escolha de posicionamento para a eleição de 2026.

Politicamente, o episódio reforça uma característica da atual disputa fluminense: alianças e apoios começam a se reorganizar em torno das candidaturas ao governo, enquanto partidos e lideranças ajustam suas estratégias para uma eleição marcada por forte fragmentação.A saída de Romário não redefine, sozinha, a corrida pelo Palácio Guanabara. Mas sinaliza que o mapa político do Rio continua em movimento e que antigos alinhamentos partidários não necessariamente serão os mesmos nas urnas de 2026.

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