Coronel Venâncio Moura, anunciado no sábado na chapa do Republicanos, aponta traição e ‘mentiras descaradas’ dos líderes da sua legenda sobre aliança firmada com o ex-prefeito
A disputa pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro ganhou um novo capítulo nesta terça-feira com a mudança de posicionamento do Democracia Cristã (DC). Apenas três dias após o ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) apresentar oficialmente o coronel da reserva Venâncio Moura (DC) como candidato a vice-governador em sua chapa, a direção estadual do partido anunciou apoio à candidatura de Eduardo Paes (PSD).A decisão provocou forte reação de Venâncio Moura, que utilizou as redes sociais para acusar a cúpula do DC de “traição” e afirmar que foi enganado durante as negociações que antecederam a decisão da legenda.”Eu dei a minha palavra e vou até o fim apoiando o Garotinho. Democracia Cristã ou dupla cara?”, declarou o coronel, criticando o que chamou de “mentiras descaradas” por parte dos dirigentes do partido.Segundo Venâncio Moura, durante reuniões realizadas na manhã de terça-feira, dirigentes do DC garantiram que o partido não fecharia acordo com Eduardo Paes e que ele continuaria sendo o candidato a vice-governador na chapa de Garotinho. Entretanto, poucas horas depois, a Executiva da legenda oficializou o apoio ao candidato do PSD.Em vídeo divulgado nas redes sociais, o ex-comandante do BOPE classificou a condução das negociações como um “teatro”.”A liderança do partido olhou na minha cara, deu tapinha no ombro e jurou de pé junto que eu era o vice. Foi só eu sair pela porta que o teatrinho acabou”, afirmou.Ainda segundo Moura, o DC teria “vendido” o próprio partido em troca da retirada de sua candidatura ao lado de Garotinho. Apesar da decisão da legenda, ele reafirmou que permanecerá ao lado do ex-governador durante toda a campanha.”Missão dada é missão cumprida. A minha lealdade não tem preço. Vou até o fim apoiando Anthony Garotinho.”Também pelas redes sociais, Eduardo Paes agradeceu ao Democracia Cristã pela adesão à sua candidatura ao Palácio Guanabara. O anúncio ocorreu após convenção realizada pelo partido e contou com a participação de lideranças da legenda, entre elas o ex-prefeito de Magé, Renato Cozzolino, pré-candidato a deputado federal, que declarou estar “do lado certo da história” ao defender a aliança com Paes.No último sábado, durante a convenção do Republicanos, Anthony Garotinho oficializou sua candidatura ao Governo do Estado ao lado de Venâncio Moura, além dos candidatos ao Senado Marcelo Crivella e Waguinho.Em seu discurso, Garotinho fez duras críticas ao cenário político fluminense. O ex-governador afirmou que, caso seja eleito, sua primeira missão será “libertar o Rio de Janeiro das três organizações criminosas” que, segundo ele, dominam o estado: o tráfico de drogas, as milícias e a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).Garotinho também prometeu reduzir a fila do Sistema de Regulação (Sisreg), ampliar o funcionamento da rede hospitalar, promover mudanças na educação pública e criar um batalhão especializado, denominado por ele de “BOPE 2.0”, voltado ao combate permanente às organizações criminosas.A decisão do Democracia Cristã altera o cenário político da disputa pelo Palácio Guanabara e representa um revés para Anthony Garotinho, que perde oficialmente o apoio da legenda que indicava seu candidato a vice-governador. Mesmo sem o respaldo do partido, Venâncio Moura afirmou que manterá sua palavra e seguirá ao lado de Garotinho durante toda a campanha, transformando o episódio em mais um capítulo das articulações e reacomodações políticas que marcam o início da corrida eleitoral no Estado do Rio de Janeiro.
